REPOSITORIO PUCSP Teses e Dissertações dos Programas de Pós-Graduação da PUC-SP Programa de Pós-Graduação em Filosofia
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Tipo: Tese
Título: Foucault e a verdade
Título(s) alternativo(s): Foucault and the truth
Autor(es): Candiotto, César
Primeiro Orientador: Muchail, Salma Tannus
Resumo: O presente estudo aborda a possibilidade de uma história crítica da verdade no pensamento de Michel Foucault. De Descartes a Husserl, passando pela crítica kantiana, a verdade é reconhecida como um objeto da filosofia e uma propriedade do sujeito, seja como consciência transcendental, seja como atividade empírica. No entanto, para Foucault, aquilo que denominamos verdade é indissociável de um jogo que envolve a dispersão histórica do sujeito, a crítica política das práticas institucionais e a constituição de um êthos filosófico. Em primeiro lugar, desde que foi constituído como objeto histórico entre domínios de saberes anteriores e exteriores ao seu pensamento, o sujeito não pode ser considerado o fundamento da verdade. Nesse aspecto, uma arqueologia do saber e uma genealogia do sujeito não deixam de ser um ceticismo metodológico diante de quaisquer universais antropológicos e diante de uma verdade originária. Em segundo lugar, se não há um sujeito universal portador da verdade, é porque ela é produzida e exigida como razão de ser de certas estratégias de poder que circulam no processo de constituição das ciências humanas. Dependendo do domínio estudado e num dado momento de sua história, um jogo de regras é instituído distinguindo o verdadeiro do falso e atribuindo ao verdadeiro, efeitos específicos de poder. Como se percebe, a crítica pensada como legitimação dos limites do conhecimento em relação ao erro e como afirmação da ciência diante da ideologia não é o caminho escolhido para tratar da verdade. Pelo contrário, trata-se de situá-la a partir de sua não-neutralidade, do seu jogo estratégico e do papel político que ela desempenha. Não se pode compreender a verdade fora do jogo do poder, principalmente quando ele é pensado enquanto governo das condutas. A exigência da verbalização infinita nas práticas confessionais e da obediência incondicional posta em funcionamento no monaquismo cristão são alguns exemplos de uma prática de poder que reclama de uma verdade para sujeitar a individualidade. Enfim, diante do jogo do poder, a investigação de Foucault pode ser reconhecida como uma genealogia da atitude crítica, o modo pelo qual o questionamento do poder em sua necessidade é condição para uma nova relação com a verdade. Os desdobramentos de uma política da verdade desembocam numa subjetivação ética da verdade, num êthos filosófico. Não se trata da descoberta de uma verdade escondida no sujeito, mas de um jogo etopoético que implica a transformação de sua maneira de ser; tampouco se trata de saber se alguém alcança a verdade a partir de uma evidência do Cogito, mas de reconhecer aquele que diz a verdade pela atitude corajosa da franqueza do seu discurso contra a opinião do senso comum. A história crítica da verdade elaborada por Foucault não pode ser pensada a partir de uma delimitação epistemológica, mas nos termos de uma política e de uma ética. Ela constitui um modo singular de aplicação de uma história crítica do pensamento
Abstract: This study deals with the possibility of identifying a critical history of truth in the thought of Michel Foucault. From Descartes to Husserl, going through the Kantian critic, truth has been seem as an object of Philosophy and a property of the subject, either as a transcending consciousness or as empirical activity. However, in the works of Foucault, what we call truth is indissociable of a game that involves the historical dispersion of the subject, the political critic of institutional practices and the constitution of a philosophical êthos. Firstly, ever since it was understood as a historical object between domains of knowledges that are previous and subsequent to his own thinking, the subject can not be considered the source of the truth. In this aspect, an archaeology of knowledge and a genealogy of the subject are no more than methodological skepticism before any anthropological universals and before an original truth. Secondly, if there is no universal subject who beholds truth, it is because truth is produced and demanded to legitimate certain strategies of power that are always around the constitution processes of human sciences. Depending on the studied domain and on its given historical moment, sets of rules are created to tell true from false and grant what is true with specific effects of power. As it can be seen, the critic that is thought as the legitimation of the limits of knowledge about what is wrong and as the affirmation of science before ideology is not the way chosen to deal with the truth. On the contrary, it is understanding truth from its non-neutral nature, from its strategical game and its political role. Truth can not be understood outside the game of power, especially when it is considered the government of conducts. The demand for infinite verbalization and unconditional obedience in confessional practices of Christian monachism are examples of a practice of power which claims a truth in order to subdue individuality. Foucault s investigation can be recognized as a genealogy of the critic attitude, the way in which putting power to question in its need is the condition for a new type of relation with truth. The consequences of a policy of truth point to an ethic subjectivization of truth, a philosophical êthos. It is not about finding a truth hidden in the subject, but an ethopoethical game that implies changing the way he is; neither about knowing whether anyone can reach truth from an evidence of the Cogito, but recognizing one who says the truth from its courage to spell out his discourse against common sense. The critical history of truth elaborated by Foucault can not be thought from an epistemological delimitation, but in terms of a policy and of an ethic. It constitutes a singular way to apply a critical history of thought
Palavras-chave: Pensamento
Critica
Sujeito
Thought
Critic
Truth
Subject
Foucault, Michel, 1926-1984 - Crítica e interpretação
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
Idioma: por
País: BR
Editor: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da Instituição: PUC-SP
metadata.dc.publisher.department: Filosofia
metadata.dc.publisher.program: Programa de Estudos Pós-Graduados em Filosofia
Citação: Candiotto, César.Foucault e a verdade. 2005. 222 f. Tese (Doutorado em Filosofia) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Curitiba, 2005.
Tipo de Acesso: Acesso Restrito
URI: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/11713
Data do documento: 8-Abr-2005
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