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Tipo do documento: Tese
Título: Turismo de massa e segregação psicossocial em uma comunidade litorânea no Nordeste brasileiro: uma análise a partir da experiência de resistência e submissão das crianças
Autor: Oliveira, Adelia Augusta Souto de
Primeiro orientador: Sawaia, Bader Burihan
Resumo: Estudo acerca da segregação psicossocial gerada pela indústria do turismo de massa na comunidade litorânea da Praia do Francês, Nordeste brasileiro, numa perspectiva teórico-metodológica que, de acordo com a psicologia dialética materialista, analisa o processo de exclusão/inclusão social, visando superar a dicotomia subjetividade/ sociedade. Com a intenção de aprimorar a práxis psicossocial, parte-se do pressuposto que o turismo, apesar da promessa de melhoria econômica, engendra situações de segregação espaço-temporal e psicossocial ao delimitar, desde as crianças, espaços discriminatórios que perpetuam a relação colonizado─colonizador agora sob a forma de nativo─forasteiro, sendo seu principal elemento segregador o preconceito que sedimenta, justifica e conforma relações desiguais e hierarquizadas. Uma indústria ambígua: necessita da beleza nativa do lugar para seu desenvolvimento e, uma vez implantada, a degrada. Objetiva-se analisar os sentidos da experiência de viver neste lugar para as crianças. A criança foi escolhida por tratar-se da geração que, nascida no prenúncio da fase de decadência da atividade turística no local, perdeu a vivência prazerosa com a natureza, antes possível aos mais velhos, o benefício econômico ganho pela geração do meio, e o convívio próximo com o turista, experimentado pela geração mais jovem, como já mostrava nossa Dissertação de Mestrado. Para tanto, realizou-se uma pesquisa participante, onde as informações são analisadas primeiro, delineando-se a segregação espacial e as mudanças nesta direção ocorridas desde a década de 70, recorrendo-se aos documentos existentes do local; as pesquisas que mapearam contexto sócio-econômico recente ─ pousadas e bares ─, sustentáculo desta indústria; a descrição das construções e habitações locais; à memória oral dos moradores mais antigos e a entrevista com os responsáveis por instituições governamentais. Num segundo momento analisam-se os sentidos experienciados no lugar a partir de informações coletadas por meio de fotos, desenhos, textos e conversas realizadas pelas e com as crianças. Os resultados apontam essa indústria como uma forma moderna de colonização que recria formas de discriminação e exclusão às populações endógenas. As crianças vivem uma dupla exclusão: a de terem perdido a beleza e a fartura da natureza, e a impossibilidade de apropriação dos bens de consumo produzido e estimulado pela sociedade capitalista. E são incluídas como estrangeiros em sua localidade de forma estigmatizada: não podem brincar nos locais próximos a determinados loteamentos e perdem a vista para o mar, sua grande fonte de lazer. Herdaram poluição, destruição ambiental, dificuldade financeira e convívio segregacionista. Elas têm consciência da segregação e da impossibilidade de acesso à incessante oferta de consumo que a sociedade produz. Sabem que a escola que freqüentam não vai prepará-las para a competição. Não podem e não querem mais ser pescadores como seus pais e não aceitam as profissões que o turismo lhes atribui. Apesar disso, vivem o espaço enquanto lugar de morada e diversão e o brincar enquanto uma atividade revolucionária. São os principais protagonistas sociais no local: corajosos e resistentes. Não há muros que os detenham e ainda resistem e experimentam o lugar como seu, graças à memória social que enraíza e é mantida na intersubjetividade geracional
Abstract: Study about the psycho-social segregation generated by the mass-tourism industry in the coastal community in Francês Beach, in the Northeast of Brazil, under a theoretical-methodological perspective which, according to the dialectical-materialistic psychology, analyses the process of social inclusion/exclusion, in order to overcome the subjectivity/society dichotomy. Aiming at improving the psychosocial praxis, we started assuming that tourism, despite its promise of improving the economy, produces situations of space/time and psychosocial segregations in delimitating, ever since childhood, discriminatory spaces which perpetuate the colonized/colonizer relation now under the form of native/foreigner, being prejudice its main segregating factor which makes its sedimentation, justifies and shapes unequal and hierarchical relations. It s an ambiguous industry: it needs the native beauty of the spot for its development and, once it is established, it damages it. The study aims at analyzing the senses of the experience for children of living in these places. The child was chosen for being part of the generation which, being born in the sign of decaying phase of the touristy activity in the place, have lost the pleasure living with nature, beforehand possible to their elders, the economic benefit gained by the middle generation, and the close contact with the tourist, experienced by the younger generation, as previously shown in our M. A. dissertation. To do so, a participant research was accomplished, where the pieces of information are analyzed first, outlining the spatial segregation and the changes towards that direction occurred since the 70 s, going through the documents available in the place; the researches which mapped the recent social-economic context - hostels and bars -, supporters of this industry; the description of the local buildings and habitations; the oral memory of the older inhabitants and the interviews with the officers in charge of the governmental institutions. In a second moment, the senses experienced in the place from collected information through photographs, drawings, texts and talks made with and by the children were analyzed. The results point out that this industry is a modern form of colonization which recreates ways of discrimination and exclusion to the endogenous populations. The children live a double exclusion: one for having lost the beauty and abundance of the nature, and another for the impossibility of affording to buy the consuming goods produced and stimulated by the capitalist society. And they are also included as foreigners in their local place in a stigmatized way: they aren t able to play next to determined condominiums and they loose the sea landscape, their great leisure source. They have inherited pollution, environmental destruction, financial difficulties and a segregationist social contact. They are aware of the segregation and the impossibility of the access to the everlasting offer of consuming goods which are produced by the society. They know that the school they attend won t get them prepared for the competition. They can t nor they want to be fishermen like their parents and they don t accept the jobs the tourism imposes to them either. However, they live the space as the place of living and leisure, and the play as a revolutionary activity. They are the main social characters in the place: brave and resistant. There are no walls that can hold them and they still resist and experiment the place as theirs, thanks to the social memory which roots and is kept in the generational inter-subjectivity.
Palavras-chave: preconceito
segregação psicossocial
infância
comunidade
Turismo
Área(s) do CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA::PSICOLOGIA SOCIAL
Idioma: por
País: BR
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da instituição: PUC-SP
Departamento: Psicologia
Programa: Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social
Citação: Oliveira, Adelia Augusta Souto de. Turismo de massa e segregação psicossocial em uma comunidade litorânea no Nordeste brasileiro: uma análise a partir da experiência de resistência e submissão das crianças. 2005. 258 f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2005.
Tipo de acesso: Acesso Restrito
URI: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/17036
Data de defesa: 3-Feb-2005
Appears in Collections:Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia: Psicologia Social

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