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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/18899
Tipo do documento: Tese
Título: Posicionamento e linguística forense: uma análise mediada pela Linguística de Corpus
Autor: Rodrigues, Agnes dos Santos Scaramuzzi 
Primeiro orientador: Sardinha, Antonio Paulo Berber
Resumo: O objetivo geral desta pesquisa foi o de investigar a linguagem verbal coletada e compilada em corpus eletrônico oriundo de um Processo Penal - Parte Especial - Dos Crimes Contra a Pessoa, capítulo I, Dos Crimes Contra a Vida, julgado no Complexo Judiciário Fórum Ministro Mário Guimarães, na capital de São Paulo, em 2011. A relevante problemática foi a violência doméstica homicida. Optamos por um processo de homicídio perpetrado por réu do sexo masculino contra sua antiga cônjuge e mãe de seu filho cujo palco do crime fora a residência da vítima. O objeto de estudo foi o conjunto das oitivas processuais que aconteceram em dois momentos: Audiência Preliminar e Julgamento. Nossa pressuposição é que em um Processo Penal, os atores linguísticos compõem três grupos distintos de acordo com sua função processual: (a) acusar, (b) defender e (c) julgar. Porque não se têm acesso aos atos em si, apenas às representações deles, os atores optam por usar a linguagem, em especial, a verbal ao explicitar seu conhecimento sobre a ocorrência. Ao fazê-lo eles se posicionam de modo diferente a partir de suas crenças sobre a ocorrência e impregnam em sua fala o impacto que os fatos tiveram sobre suas vidas. Diante disso, há diferenças linguísticas na fala dos atores de acordo com sua função processual que podem ser reveladas pela investigação do posicionamento. Revelá-las pode elucidar as versões da acusação e da defesa sobre, por exemplo, o perfil da vítima e do réu. Nossa análise dessas diferenças é inovadora, já que não encontramos nenhum estudo do posicionamento em oitivas processuais no Português, assim, buscamos preencher essa lacuna. Os objetivos específicos foram: (A) Revelar os usos de posicionamento explicitando suas categorias em duas classes gramaticais; (a) adjetivos e (b) advérbios terminados em mente; e (B) Descobrir se há diferenças de usos de posicionamento de acordo com a função processual que o ator linguístico exercer: (a) acusar, (b) defender e (c) julgar. As questões de pesquisa foram: 1- Quais são as evidências de usos de posicionamento e suas categorias nas classes gramaticais dos: (a) adjetivos e (b) advérbios terminados em mente? e 2- Há diferenças de usos de posicionamento em relação à função processual que o ator linguístico exercer: (a) acusar, (b) defender e (c) julgar? Adotamos a seguinte fundamentação teórica: (A) Linguística Aplicada; (B) Linguística de Corpus, extraindo evidências de uso da linguagem verbal por meio de corpus analisado eletronicamente; (C) Análise do posicionamento à luz de Biber e Finegan (1988); Biber et al., (1999) e Biber (2006a e 2006b) definido como uma expressão de sentimento, atitudes e julgamentos que o ator explicita sobre sua mensagem; e (D) Linguística Forense que investiga a linguagem que acontece nos fóruns. A metodologia incluiu pesquisa de campo, uso da ferramenta eletrônica PALAVRAS e análise qualitativa. Os resultados indicaram: para a primeira pergunta, que foram descobertos usos de posicionamento nas duas classes gramaticais e, para a segunda, que há diferenças de usos de posicionamento em relação às funções processuais. Diante dessas respostas, concluímos que: (a) é importante investigar as diferenças linguísticas de cada função processual a fim de entendermos qual é a linguagem usada em cada uma dessas funções; e (b) identificar o posicionamento em corpus forense pode ser útil ao avaliar a qualidade da informação transmitida, por exemplo, por uma testemunha que impregna sua fala com seus sentimentos, atitudes e o grau de conhecimento frente ao fato que se julga. Esperamos ter contribuído com novos estudos da Linguística de Corpus focados nos usos do posicionamento no discurso forense a partir da metodologia desenvolvida nesta pesquisa. Almejamos também, ter contribuído com o desenvolvimento da Linguística Forense no Brasil ofertando nossa metodologia e resultados, já que adotamos em nossas práticas o rigor exigido. Nossas considerações finais discutem: as limitações, desdobramentos, pesquisas futuras e, ainda, propostas de aplicações pedagógicas
Abstract: The overall purpose of this research was to investigate the verbal language collected and compiled in an electronic corpus, extracted from a Criminal Lawsuit - Special Part - Crimes Against the Person, Chapter I, Crimes Against Life, tried at the Legal Complex Minister Mario Guimarães Forum in the capital of São Paulo, in 2011. The relevant issue was the homicidal domestic violence. We opted for a murder case perpetrated by a male defendant against his former spouse and mother of his child, staged at the residence of the victim. The object of my study was the set of hearings that were held in two separate instances: Preliminary Hearing and Trial. Our assumption is that in a criminal proceeding, language actors fall into three distinct groups, according to their function in the proceedings: (a) charge, (b) defend and (c) judge. Because they have no access to the acts per se, only to their representations, the actors used language, largely verbal, to report their knowledge of the occurrence. In doing so, they positioned themselves in accordance with from their view of the occurrence and imbue the impact that the events have had on their lives into their accounts. Thus, there are linguistic differences in the speech of actors, according to their function in the proceedings, which can be revealed by the investigation into the stance. Revealing them can elucidate the prosecution‘s and the defense‘s versions of, for example, the profile of the victim and the defendant. Our analysis of these differences is innovative, as we did not find any study on the stance at hearings in Portuguese. As such, we seek to bridge this gap. The specific objectives were: (A) to reveal the different uses of stance by explaining their categories in two parts of speech; (A) adjectives and (b) adverbs ending in ―ly‖; and (B) to find out if there are differences in the uses of stance, according with the role the linguistic actor plays in the proceedings: (a) charge, (b) defend (c) and judge. Research questions were: 1. What is the evidence of the use of stance and its categories in the different parts of speech: (a) adjectives and (b) adverbs ending in ―ly‖? 2. Are there differences in the uses of stance in relation to the role of the linguistic actor played in the proceedings: (a) charge, (b) defend (c) and judge? The theoretical background is based on: (A) Applied Linguistics; (B) Corpus Linguistics, extracting evidence from the use of verbal language through corpus analysed electronically; (C) analysis of stance in light of Biber and Finegan (1988); Biber et al, (1999) and Biber (2006a and 2006b), defined as an expression of feeling, attitudes and judgments that the authors explains about their message; and (D) Forensic Linguistics investigating the language used in the forums. The methodology included fieldwork, use of the electronic tool WORDS and qualitative analysis. The results indicated the following: for the first question, that two stances were discovered in the two parts of speech, and for the second question, that there are differences in the uses of stances related to functions in the proceedings. Given these responses, we conclude that: (a) it is important to investigate the linguistic characteristics of each function in the proceedings in order to understand what is the language used in each of these functions; and (b) identifying different stances in forensic corpus may be useful to assess the quality of the information relayed, for example, by witnesses who impregnates their speech with personal feelings, attitudes and level of knowledge about the fact on trial. We hope to have contributed to the development of new Corpus Linguistics studies, focused on the uses of stances in forensic speech from the research methodology developed herein. We also hope to have contributed to the development of Forensic Linguistics in Brazil by offering our methodology and results, as we adopted the required rigor in our practices. Our final considerations discuss the following: the limitations, developments, future research and proposals for educational applications
Palavras-chave: Processo penal
Linguística forense
Linguística de corpus
Criminal procedure
Forensic linguistics
Corpus Linguistics
Área(s) do CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA::LINGUISTICA APLICADA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da instituição: PUC-SP
Departamento: Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes
Programa: Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem
Citação: Rodrigues, Agnes dos Santos Scaramuzzi. Posicionamento e linguística forense: uma análise mediada pela Linguística de Corpus. 2016. 214 f. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2016.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/18899
Data de defesa: 9-Jun-2016
Aparece nas coleções:Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem

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