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https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/45451| Tipo: | Tese |
| Título: | Chemsex entre gays e outros HSHs: uma investigação analítico-comportamental |
| Autor(es): | Lima Neto, João Marinho de |
| Primeiro Orientador: | Gioia, Paula Suzana |
| Resumo: | O chemsex, definido como o uso de substâncias psicoativas para intensificar o prazer sexual (metanfetamina, GHB, ecstasy, quetamina e cocaína), tem sido associado a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e outros agravos entre gays e homens bissexuais, mas poucos estudos foram conduzidos sob a óptica da análise do comportamento no Brasil. Nesta tese, dois estudos foram realizados com os objetivos de (a) identificar possíveis variáveis antecedentes e consequentes do chemsex e (b) propor estratégias de comunicação e de acolhimento para a população envolvida. No Estudo 1, qualitativo, foram entrevistados sete homens gays/bissexuais adeptos ou ex-adeptos de chemsex (31–44 anos) por meio de roteiro semiestruturado. As entrevistas foram transcritas e analisadas segundo procedimentos de avaliação funcional indireta e pelos “5Ws” (quando, onde, por quê, com quem e o que aconteceu). Observaram-se contingências complexas envolvendo reforçadores positivos e negativos atuando de forma combinada, bem como eventos aversivos, influência de amigos e parceiros, histórico de uso de outras substâncias, múltiplas parcerias sexuais e práticas mediadas por aplicativos geossociais para encontros como principais variáveis antecedentes. No Estudo 2, qualiquantitativo, um questionário online com 37 perguntas derivadas dos achados do Estudo 1 foi aplicado a 62 homens gays/bissexuais (25–58 anos) recrutados em redes sociais e aplicativos geossociais e foi realizada uma avaliação indireta cotejada para verificar a intensidade das correlações encontradas. Os resultados sugerem que o chemsex é mantido por reforçadores positivos relacionados ao sexo (prazer sexual, ampliação do repertório sexual e prolongamento das relações sexuais) e por reforçadores sociais (uso coletivo e validação do grupo). Observaram-se: (a) associações estatisticamente significativas entre avaliação negativa do impacto geral do uso de substâncias e considerar parar ou reduzir o uso (χ² = 16,73, p = 0,00023) e entre essa avaliação e a busca por auxílio especializado (χ² = 12,11, p = 0,0024); (b) variáveis relacionadas a reforçamento negativo, como alívio de ansiedade e de isolamento; (c) formação de redes de trocas sociais em torno do chemsex; e (d) dificuldades dos participantes em apresentar comportamentos de autocontrole. Também foram constatadas múltiplas parcerias sexuais, relacionamentos não monogâmicos e relatos de ISTs — com destaque para sífilis —, sendo a cocaína a substância mais citada. Com base nesses achados, foi criada uma persona representativa da amostra e elaboradas orientações (guidelines) que recomendam audiência não punitiva; uso de linguagem contextualizada (incluindo gírias); reconhecimento de aspectos percebidos como positivos; atuação de equipe multidisciplinar; acesso flexível (e.g., anonimato e atendimento online); suporte contínuo mesmo em recaídas; apoio entre pares; e campanhas direcionadas em aplicativos geossociais para encontros e redes sociais. Como principais limitações, destacam-se o uso de amostra de conveniência (Estudo 1), a dependência de autorrelatos e a predominância de participantes da Região Sudeste. Recomenda-se que pesquisas futuras contemplem amostras mais diversas, enfoquem o autocontrole e utilizem medidas de observação direta |
| Abstract: | Chemsex—defined as the use of psychoactive substances such as methamphetamine, GHB, ecstasy, ketamine and cocaine to intensify sexual pleasure—has been associated with sexually transmitted infections (STIs) and other health outcomes among gay and bisexual men. However, few studies have approached this phenomenon from a behaviour-analytic perspective in Brazil. This thesis presents two studies aimed at (a) identifying possible antecedent and consequent variables of chemsex and (b) proposing communication and support strategies for the affected population. In Study 1 (qualitative), seven gay and bisexual men (aged 31–44) who were current or former chemsex participants were interviewed using a semi-structured protocol. The interviews were transcribed and analysed through indirect functional assessment procedures and the 5W framework (when, where, why, with whom, and what happened). Findings revealed complex contingencies involving combined positive and negative reinforcement, aversive events, peer and partner influence, previous substance use history, multiple sexual partnerships, and practices mediated by geosocial networking apps as key antecedent variables. In Study 2 (mixed-methods), an online questionnaire with 37 items derived from Study 1 was administered to 62 gay and bisexual men (aged 25–58) recruited via social media and geosocial apps. A cross-checked indirect functional assessment was conducted to examine the strength of the identified correlations. Results indicate that chemsex is maintained by positive reinforcers related to sexual activity (sexual pleasure, expansion of sexual repertoire, and prolongation of sexual encounters) as well as social reinforcers (group use and social validation). Statistically significant associations were observed between a negative evaluation of the overall impact of substance use and both the intention to stop or reduce use (χ² = 16.73, p = 0.00023) and the seeking of professional help (χ² = 12.11, p = 0.0024). Additional findings included negatively reinforced variables (e.g., relief from anxiety and social isolation), the formation of social exchange networks around chemsex, and participants’ difficulties in exhibiting self-control behaviours. Multiple sexual partnerships, non-monogamous relationships, and high rates of STIs—particularly syphilis—were also reported, with cocaine being the most frequently cited substance. Based on these findings, a representative persona of the sample was developed and a set of guidelines was proposed, recommending non-punitive environments, contextualised language (including slang), recognition of perceived positive aspects, multidisciplinary teams, flexible access (e.g., anonymity and online support), continuous support even in cases of relapse, peer support, and targeted outreach through geosocial apps and social media platforms. The main limitations of this research include the use of a convenience sample (Study 1), reliance on self-reported data, and the predominance of participants from the Southeast region of Brazil. Future research should aim to include more diverse samples, focus on self-control, and incorporate direct observation measures |
| Palavras-chave: | Chemsex Saúde pública Uso de substâncias psicoativas Gays e homens bissexuais Drogadição Chemsex Public health Psychoactive substance use Gay and bisexual men Drug addiction |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA::PSICOLOGIA EXPERIMENTAL |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Pontifícia Universidade Católica de São Paulo |
| Sigla da Instituição: | PUC-SP |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento |
| Citação: | Lima Neto, João Marinho de. Chemsex entre gays e outros HSHs: uma investigação analítico-comportamental. 2025. Tese (Doutorado em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2025. |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/45451 |
| Data do documento: | 25-Set-2025 |
| Aparece nas coleções: | Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento |
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